Motivação para treinar
Não podemos ficar à espera que chegue a motivação para irmos treinar. A motivação para treinar pode ser importante para começar, mas é a disciplina que permite manter a regularidade e cumprir um plano de treino ao longo do tempo.
Em termos práticos, pensando de segunda-feira a domingo, se um indivíduo tem de realizar quatro horas de treino todas as semanas e ficar à espera do momento em que sente motivação para treinar, serão provavelmente raras as semanas em que conseguirá concretizar essa carga de treino.
Neste sentido, se formos treinar apenas quando nos sentimos motivados, existirão muitos dias em que o plano de treino não será cumprido. E, sem continuidade, torna-se mais difícil alcançar os objectivos definidos.
Motivação versus carácter: o que nos leva a treinar?
Se formos à origem etimológica da palavra motivação, encontramos o termo latino motus, associado à ideia de movimento. No âmbito da psicologia, a motivação está relacionada com as razões e os processos que levam as pessoas a iniciar, orientar e manter comportamentos para alcançar determinados objectivos.
Esta definição está directamente ligada à vontade, um conceito que temos vindo a abordar no nosso blog. A reflexão que lançamos é precisamente sobre o que significa estar motivado para treinar e sobre a importância de agir mesmo quando essa motivação não está presente.
A motivação para treinar nem sempre existe com a mesma intensidade. É nesses momentos que precisamos de recorrer à disciplina, ao compromisso e à capacidade de cumprir o que foi planeado.

Será que a maioria das pessoas compreende o conceito de motivação para treinar?
Talvez não. A motivação é, para muitas pessoas, uma palavra que parece representar uma espécie de estado especial que as leva a fazer determinada actividade.
No caso do treino, se apenas formos treinar quando essa motivação exerce uma acção sobre nós, a regularidade fica comprometida.
Na prática, algumas pessoas que querem começar a fazer exercício físico ou intensificar os seus treinos encaram a motivação como se fosse uma entidade exterior que aparece ocasionalmente. Assim, acabam por treinar apenas quando estão sob o efeito dessa espécie de “poção mágica”.
Quando o praticante desenvolve esta capacidade de realização e um verdadeiro espírito de compromisso com o processo, fica em melhores condições para atingir os objectivos a que se propôs.
As pessoas só treinam quando sentem motivação?
Na nossa perspectiva, a continuidade do treino tem muito a ver com a disciplina, a vontade e o carácter, entendidos como a capacidade de assumir e cumprir compromissos, mesmo perante dificuldades.
A motivação, pela nossa experiência, está relacionada com o interesse do praticante em atingir um determinado objectivo. Pode tratar-se de perder peso, aumentar a massa muscular, melhorar a condição física ou desenvolver o VO2 máximo, um indicador importante da capacidade cardiorrespiratória.
Contudo, querer alcançar estes resultados não é suficiente. É necessário transformar essa vontade em acções concretas, através de um plano de treino adequado, com continuidade e progressão.
A falta de motivação pode tornar-se uma barreira
A motivação é por vezes encarada como um “factor trava”: sem ela, a pessoa acredita que não consegue treinar.
A falta de motivação acaba, muitas vezes, por ser utilizada como justificação para não realizar exercício físico. É como se a pessoa dissesse que apenas não treina porque não está motivada e que, se estivesse, iria treinar regularmente.
Contudo, quando analisamos esta atitude ao longo de sete dias, de um mês ou de vários meses, percebemos que dificilmente será possível cumprir um plano de treino consistente dependendo exclusivamente de momentos de entusiasmo.
Esta irregularidade compromete a possibilidade de alcançar resultados concretos na composição corporal e na condição física.
Regularidade e intensidade: dois factores essenciais para obter resultados
Existe um grupo de pessoas que adere ao treino, mas de forma tímida, sem conseguir estabelecer uma relação firme e regular com o exercício físico.
Outra dimensão que queremos salientar é a forma como se treina. Muitas pessoas querem efectivamente treinar, mas fazem-no com pouca intensidade e, simultaneamente, esperam resultados expressivos, como perder peso, tonificar o corpo ou melhorar a sua condição física.
Para produzir adaptações relevantes, o treino precisa de apresentar um estímulo adequado às capacidades e aos objectivos do praticante. Quando a carga de treino é sistematicamente insuficiente, os resultados podem ficar aquém do esperado.
Apesar disso, existe frequentemente resistência em sair da zona de conforto e treinar com afinco. Importa esclarecer que treinar com intensidade não significa treinar sempre no máximo das capacidades, mas sim aplicar uma carga de esforço adequada, segura e progressiva.
Na Fiquemforma gostamos de explicar detalhadamente aos nossos clientes as cargas de treino, as intensidades e a forma como estes elementos influenciam a evolução física.
O acompanhamento através de um programa de treino personalizado permite organizar estes estímulos de acordo com a condição física, os objectivos e a capacidade de recuperação de cada pessoa.
Três perfis de praticantes perante o treino
Com base na nossa experiência profissional, podemos identificar três perfis que ajudam a compreender diferentes atitudes perante a prática de exercício físico.
1. Adesão irregular
Pessoas que começam a treinar, mas ainda não conseguem manter uma rotina consistente. A motivação oscila e o compromisso com o plano de treino é frequentemente interrompido.
2. Regularidade sem intensidade adequada
Pessoas que conseguem treinar regularmente, mas que nem sempre aplicam o estímulo necessário para alcançar os resultados pretendidos.
3. Regularidade e compromisso
Pessoas que conjugam a vontade de treinar com disciplina, esforço adequado e disponibilidade para enfrentar desafios progressivos, criando melhores condições para evoluir.
O segundo grupo demonstra que a regularidade, apesar de fundamental, não resolve por si só todas as necessidades de um programa de treino. A intensidade, o volume e a progressão também precisam de ser considerados.
O terceiro grupo reúne praticantes que, para além da vontade de treinar, desenvolvem o compromisso necessário para ultrapassar a sua zona de conforto de forma gradual e adequada às suas capacidades.
Este grupo encontra geralmente melhores condições para alcançar resultados, porque reúne factores importantes para a evolução: continuidade, esforço, organização e capacidade de adaptação.
Não queremos dizer, com esta descrição, que as pessoas permanecem sempre numa destas três categorias. Pelo contrário, acreditamos fortemente na mudança de mentalidade e já acompanhámos muitas evoluções surpreendentes.
O papel do Personal Trainer na disciplina e na evolução física
Na Fiquemforma desenvolvemos com os nossos clientes uma relação pedagógica, transmitindo os conhecimentos necessários para que cada praticante compreenda o processo de treino e saiba o que precisa de fazer para continuar a progredir.
O objectivo não é apenas orientar exercícios, mas ajudar a compreender a importância das cargas de treino, da intensidade, da regularidade e da recuperação.
Muito do que abordamos neste artigo tem consequências práticas sobre as adaptações do organismo ao exercício físico, incluindo as alterações musculares, cardiovasculares e metabólicas.
É através da conjugação entre intensidade adequada, regularidade e progressão que o organismo desenvolve adaptações que permitem melhorar a eficiência física e a capacidade de realizar esforços.
O compromisso com o treino pode também ser facilitado por horários definidos, objectivos realistas e acompanhamento profissional. Para quem procura esta orientação, a Fiquemforma disponibiliza treino personalizado em Lisboa, Sintra e Cascais , com sessões ao domicílio e ao ar livre.
Como manter a motivação para treinar ao longo do tempo?
Embora não devamos depender exclusivamente da motivação, existem estratégias que ajudam a manter uma relação consistente com o exercício físico.
Estabelecer objectivos concretos
Definir o que se pretende alcançar permite organizar melhor o treino e avaliar a evolução. Os objectivos devem ser realistas e adaptados à condição física inicial.
Criar horários de treino
Reservar períodos específicos da semana para treinar reduz a dependência da vontade momentânea e ajuda a transformar a actividade física num compromisso regular.
Ajustar a intensidade às capacidades individuais
O treino deve ser suficientemente desafiante para estimular adaptações, mas respeitar o nível de preparação, as limitações e a recuperação de cada praticante.
Acompanhar a evolução
Observar melhorias na força, na resistência, na composição corporal ou na capacidade funcional pode reforçar o compromisso com o processo.
Conclusão: a motivação inicia o processo, a disciplina sustenta os resultados
A motivação para treinar é importante, mas não deve ser o único factor que determina a realização de exercício físico.
A nossa experiência mostra-nos que a capacidade de manter uma rotina, cumprir um plano e treinar com intensidade adequada é determinante para criar condições favoráveis à evolução.
É igualmente importante compreender que a disciplina se desenvolve e que as pessoas podem alterar os seus hábitos, a sua mentalidade e a relação que estabelecem com o exercício físico.
Na Fiquemforma acreditamos que a orientação técnica, o conhecimento e a continuidade são elementos fundamentais para que o treino se torne uma prática consistente ao longo da vida.
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